quarta-feira, dezembro 19, 2018
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Lan houses saem de cena

Há cinco anos, elas eram um fenômeno em todo Brasil. Mas hoje, boa parte das lan houses está fechando suas portas ou mudando de ramo em virtude de programas que fomentam a compra de PCs, como o Computador para todos, do governo federal, além do aumento de poder aquisitivo do cidadão, que permite adquirir máquinas e acesso à internet em banda larga, muitas vezes com parcelamento a perder de vista. Para se ter uma ideia, 7,8 milhões de computadores foram vendidos só no primeiro semestre de 2012, segundo o IDC. “Em 2005, as lan houses supriam uma demanda reprimida por acesso a computador e internet que existia nas camadas sociais médias e baixas. Naquela época, apenas 25% dos domicílios brasileiros possuíam PC e 18%, internet”, explica o coordenador de pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), Juliano Cappi. O órgão é vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), que coordena todas as iniciativas de serviços online no País.

A quantidade de lan houses no Brasil é imprecisa. Segundo a Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (Abcid), havia 108 mil estabelecimentos em todo País em 2009. Para o Sebrae Nacional, o número era de 130 mil em 2010 e caiu para 100 mil no ano passado. Não há dados sobre Pernambuco. A empresária Maria José de Brito, dona da Cyber da Hora, no Recife, é uma das que sente na pele o peso das estatísticas. “Meu faturamento caiu cerca de 80%”, atesta. Maria José tenta compensar o déficit oferecendo vários serviços, desde impressão até aulas de informática para a 3ª idade. “Mas não é como antes. Faturava cerca de R$ 250 por dia. Hoje, são R$ 130”, contabiliza.

Outros empresários, como o caruaruense Antonino Júnior, estão mudando de ramo. “Já tive 30 máquinas, hoje tenho seis. Mudei meu negócio para Coworking, em que meu espaço vira um escritório compartilhado por pessoas de uma empresa ou de várias”, relata. As lan houses ainda esbarram em problemas como informalidade – gerada pelo caráter familiar que predomina no negócio – e o modelo de gestão praticado. “Nas entrevistas para o estudo, vimos que boa parte dos donos só tem o ensino médio. Apenas 6% têm nível superior. Isso limita a mudança para um novo modelo de negócio”, pondera Cappi.

Fonte: JC

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