domingo, dezembro 16, 2018
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Famílias invadem prédios condenados em Olinda

Pelo menos 24 famílias invadiram dois prédios do conjunto residencial JK, na 4ª etapa de Rio Doce, em Olinda, Grande Recife, por volta das 14h desta quarta-feira (23). Os prédios estão desocupados há pelo menos nove anos por correrem risco de desabamento. O grupo saiu dos edifícios, pacificamente, cerca de três horas depois, após conversas com policiais.

As famílias chegaram com baldes, vassouras e produtos de limpeza para organizarem os apartamentos antes de realizarem a mudança completa. No momento, havia apenas um vigilante da empresa que faz a segurança dos prédios, a Asa Branca. O funcionário, então, acionou a Polícia Militar, e uma equipe do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati) do 1° Batalhão foi enviada ao local.

A maior parte das famílias que chegou os prédios esta tarde mora em Olinda e está vivendo “de favor” na casa de parentes e amigos, como a doméstica Maria Helena da Silva, 39 anos. Ela mora com o filho de 7 anos e o neto de 2 num quarto na casa de uma amiga. “Eu não tenho condições de pagar aluguel e, quando soube que viriam ocupar, decidir vir também”, disse.

Tatiane Ferreira está desempregada há um mês e por isso está morando na casa da mãe, no bairro do Janga, em Paulista, também no Grande Recife, com a filha de 17 anos que está grávida, o marido da adolescente e um filho de 20 anos. “Soube da ocupação por amigos, pois estou cuidando de uma criança aqui no bairro. Aqui tem energia e água, e, pelo que sei, não tem risco de desabar”, comentou.

No entanto, segundo o funcionário da Asa Branca, os prédios foram desocupados porque estão condenados a cair. O vigilante explicou ao portal FolhaPE que a seguradora Sul América paga auxílio moradia aos antigos proprietário por força de decisão judicial e contratou a Asa Branca para fazer a segurança dos imóveis.

Mesmo com esse risco, o autônomo Clébson do Carmo preferiu tentar invadir o prédio com a esposa Edilma e os três filhos. É que o prédio onde ele mora, em Olinda, também está condenado a cair. “Nós ocupamos ali também, estava abandonado. Só que agora abriu uma rachadura muito grande lá e precisamos de um lugar para morar. Aqui não tem ninguém, e os vizinhos reclamam que está virando ponto de venda de drogas e prostituição”, disse.

A comerciante Nete dos Santos mora próximo ao conjunto residencial e garantiu que o local está bastante inseguro. “A gente vê tráfico de drogas aqui, jovens de 12, 13 e 14 anos praticando sexo. Os vigilantes só vêm aqui para dormir. Prefiro essas famílias ficaram aqui que este abandono”, afirmou.

As famílias disseram à reportagem que querem permanecer no térreo dos prédios, com a intenção de chamar a atenção da Prefeitura de Olinda. Eles querem ajuda do Governo municipal para conseguir um lugar para morar.

Foto: FolhaPE

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