quinta-feira, Abril 19, 2018
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Pesquisa aponta que Itamaracá amarga aumento de impactos ambientais mesmo com redução do fluxo turístico

Estudo foi desenvolvido por Jefferson José Candido no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal de Pernambuco

Antes consolidada como um dos destinos turísticos de Pernambuco devido aos seus recursos naturais e arcabouço histórico que remonta ao período colonial, a Ilha de Itamaracá assiste agora ao declínio do fluxo de turistas, além de assumir lugar destacado no quesito de impactos negativos, principalmente no meio ambiente. A perspectiva é comprovada pela dissertação “Turismo e impactos socioambientais: uma proposta de gestão pública sob o prisma da sustentabilidade para a Ilha de Itamaracá (PE)”, defendida por Jefferson José Candido no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal de Pernambuco.

Segundo o pesquisador, que define o turismo como “uma forma de se refugiar das neuroses urbanas e do cotidiano caótico da cidade”, o que se verifica na ilha é a prática do turismo de segunda residência, ou seja, um alojamento turístico particular, utilizado temporariamente e nos momentos de lazer, por pessoas que têm seu domicílio permanente num outro lugar. “O perfil das pessoas na Ilha é predominantemente do próprio Estado, de baixa renda, veranista, de pouca permanência e centralizado no turismo de sol e mar”, aponta.

E essa forma de turismo, consequentemente, na avaliação do autor, traz consigo inúmeros impactos prejudiciais à natureza e à sociedade, como a descarte de resíduos sólidos no meio ambiente, especulação imobiliária, alteração na divisão do trabalho e na vida social da comunidade local. Esses danos, destaca o estudo, “estão se sobressaindo em relação aos impactos positivos e não condizem com os paradigmas da sustentabilidade, prejudicando, assim, o meio ambiente, cabendo à gestão pública a responsabilidade de abrandar os impactos negativos bem como maximizar os impactos positivos.”

“Na praias do Pilar e do Forte esta prática é bastante comum, revelando falta de sensibilização tanto dos turistas quanto dos moradores que fazem uso destes recursos como uma alternativa de lazer ou de trabalho”, afirma o pesquisador. Os resíduos descartados de forma inadequada causam um grande impacto visual no ambiente e um odor desagradável, além de ser um vetor para transmissão de doenças. Ainda de acordo com Jefferson, durante a pesquisa de campo nas praias, não foram avistados servidores da prefeitura atuando na remoção dos resíduos, nem na orientação dos turistas quanto ao acondicionamento correto do lixo, ou mesmo na entrega de sacos aos trabalhadores deste meio.

O estudo, orientada pelo professor José Coelho de Araújo Filho e coorientado pela professora Vanice Santiago Fragoso Selva, teve como objetivo levantar informações que possam vir a subsidiar ações de gestão pública do turismo com critérios de sustentabilidade. “É de suma importância que as políticas públicas voltem-se para reestruturar o turismo na ilha, visto que ele é a principal atividade econômica do município, participando ativamente da qualidade de vida de seus moradores”, afirma Jefferson Cândido. Como sugestão, acrescenta: “Isso seria feito através do desenvolvimento do incentivo ao ecoturismo, a educação ambiental, a valorização da cultura local e o bem-estar da comunidade direcionada a moradores e turistas.”

A PESQUISA | O turismo na Ilha de Itamaracá alcançou seu auge nos anos de 1980, fruto de seus potenciais naturais e culturais, porém há pelo menos uma década sofre um declínio tanto na demanda quanto na qualidade, fatos que motivaram a realização da pesquisa sob a hipótese de que a atividade turística na Ilha de Itamaracá está sendo conduzida de forma insustentável. O estudo analisou acontecimentos reais existentes no espaço geográfico em um determinado instante temporal através da observação, utilizando também uma pesquisa quantitativa e outra qualitativa. A partir da pesquisa, foi concluído que ações fundamentadas em diretrizes sustentáveis possibilitam o desenvolvimento local de forma sustentável, beneficiando o econômico, o ecológico e com responsabilidade social.

Da UFPE

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