terça-feira, outubro 23, 2018
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Número cai, mas Pernambuco ainda tem 1 milhão de miseráveis


Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa EconômicaAplicada (Ipea), com base de dados de 2009, apontou a existência de um milhãode pernambucanos vivendo na pobreza extrema, com renda de até R$ 70 mensais.Grande parte concentrada na área urbana. Em 2001, Pernambuco contava com 1,8milhão de miseráveis. O Ipea registrou uma queda de 43% da pobreza extrema,nesse período de oito anos. O diagnóstico constatou que 74% dos extremamentepobres são cobertos pelo programa de transferência de renda do governo federalBolsa Família. Em 2004, apenas 54% recebiam o benefício. O trabalho, divulgadonesta sexta-feira (3), teve como base informações do último censo do InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Seguindo a tendência nacional, a maior parte da população pernambucana que vivenessa situação é formada por crianças de 0 a 14 anos. Elas representam 39,7% dototal. Em relação à cor ou raça, foi constatado que a maioria dos pernambucanosque vive em extrema pobreza no meio urbano é parda (61,3%). Maria do CarmoBatista, 33 anos, moradora da comunidade do Arco-íris, no bairro de Peixinhos,Zona Norte do Recife, tem seis filhos. Mora num barraco de madeira e ganha R$136 por mês. “Aqui, falta tudo. Nunca trabalhei. Não existe emprego para mim. Ganhodinheiro do Bolsa Família. É isso que salva a gente”, reclama.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro,explicou que a escola é o caminho mais importante para tentar mudar o quadro depobreza. “O Bolsa Família é importante para garantir a manutenção mínima daspessoas. Não há uma geração perdida. Essa faixa etária, de 0 a 14 anos, está naescola. Hoje, o acesso à educação é maior. É isso que faz o quadro mudar.” Eleexplicou que, entre os que ganham até R$ 70 mensais em Pernambuco, a média darenda é de R$ 38. Abrahão ressaltou que Pernambuco tem um pobreza mais urbana.“Na área rural, é mais fácil minimizar a miséria. Os mecanismos são menoscomplexos. Na cidade, a pobreza é multifacetada. No campo, grande parte sobrevivede agricultura. Há programas de crédito agrícola por exemplo.”

O levantamento revelou que o acesso às necessidades básicas,como uso de banheiro exclusivo, esgotamento sanitário, abastecimento de água,energia elétrica e coleta de lixo, apesar de ainda ser muito distante do idealdo ideal, está mais avançado em relação aos parâmetros nacionais. O conceito depobreza extrema foi definido como o estado de privação de um indivíduo cujobem-estar é inferior ao mínimo que a sociedade a qual ele pertence julgaobrigada a garantir.

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