quarta-feira, novembro 21, 2018
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Maternidade de Abreu e Lima deixa de fazer partos por falta de médicos

Uma maternidade sem médico obstetra. O endereço da contradição é a Rua Caruaru, onde fica o Hospital e Maternidade de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. A unidade de saúde é referência em realização de partos na região e atende a cinco municípios que, juntos, somam quase 300 mil habitantes.

O problema é que, desde o início do ano, a maternidade sofre com a falta de médicos. No início da manhã da última quinta-feira (12), a reportagem da TV Globo esteve no local e atestou que não havia obstetra, neonatologista, neurologista nem anestesista. A denúncia, feita por moradores, foi veiculada no NETV 1ª Edição.

No hospital e maternidade, a recepção está tomada por cadeiras vazias. Mais adiante, muitos leitos se encontram na mesma situação, sem pacientes. Funcionários disseram que, de acordo com a escala, não haveria médico obstetra para o plantão que vai até às 19h. Na noite anterior, também não havia nenhum especialista em partos. A situação do hospital é tão difícil que nem o telefone está funcionando, opera somente chamas internas, entre ramais.

João do MorroFrustração e revolta para o cantor João do Morro, que durante a madrugada foi pela terceira vez na mesma semana tentar atendimento para a mulher Luana, grávida de oito meses e meio. “Fui três vezes e a resposta deles é que não tem obstetra. Minha esposa está com sangramento, com fortes dores e não foi atendida. É chato, constrangedor passar por essa situação. A gente só quer ser atendido. Uma maternidade sem obstetra, eu só quero saber por que ele está aberta”, reclamou o artista. O casal decidiu ir ao Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no Recife.

O discurso protocolar dos funcionários da maternidade de Abreu e Lima, no entanto, é para que as gestantes procurem o Hospital Tricentenário, em Olinda. Foi essa orientação que ouviu a dona de casa Zara Martins, grávida de oito meses. Ela mora em Igarassu, município que encaminha suas gestantes para Abreu e Lima, referência na região.

“Estou com dor desde as 5h. Me mandaram vir para cá, mas está sem obstetra. É um descaso”, esbravejou. A mãe dela, Maria do Carmo Martins, fez coro à reclamação: “Minha filha está entrando no oitavo mês, pode ser uma gravidez de risco e acontece isso. Essa é a situação da nossa saúde pública”.

De acordo com a secretária de Saúde de Abreu e Lima, Sônia Arruda, a falta de médicos na unidade se deve à falta de recursos. “Com a chegada da crise, mantivemos o salário-base de todos os médicos, mas não tivemos condições de manter a gratificação de R$ 1.500 que era paga. Voltamos a pagar o salário-base de R$ 5.500 e alguns profissionais começaram a pedir demissão. Fizemos uma seleção simplificada em janeiro mas muitos selecionados, com contratos assinados para começar a trabalhar no dia 1º de fevereiro, não compareceram para assumir os seus plantões. Estamos com vários plantões abertos na maternidade”, explicou. De acordo com ela, não há anestesista na unidade desde outubro de 2015.


A secretária afirmou ainda que a Prefeitura já procurou o Governo do Estado para falar sobre a dificuldade financeira. “O Estado tem se mostrado aberto à discussão, mas não avançamos ainda na questão dos recursos”, destacou. Sônia Arruda garante, no entanto, que até o dia 31 de maio novos obstetras e neonatologista já devem estar contratados.

Tricentenário

Diante do problema da falta de médicos em Abreu e Lima, o Hospital Tricentenário informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que houve um aumento na demanda de pacientes oriundos de Abreu, Igarassu, Itapissuma, Itamaracá e Araçoiaba. Segundo o comunicado, “no último mês, a unidade realizou aproximadamente 600 partos e cerca de 25% foram de pacientes residentes” nesses municípios.

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