terça-feira, julho 17, 2018
Home > Artigos > Globo vai cortar salário dos “medalhões”

Globo vai cortar salário dos “medalhões”

Por Altamiro Borges

O império global – com suas emissoras de tevê aberta e a cabo, suas rádios, seus jornais, suas revistas e seus sites – jura de pé junto que a economia está melhorando e que o Brasil caminha celeremente para o paraíso.

O Jornal Nacional da TV Globo, assistido por milhões de famílias, é o principal propagandista do “milagre” produzido pela quadrilha de Michel Temer-Henrique Meirelles.

Mas, lá no fundo, nem a família Marinho acredita nessa conversa fiada que só engana os “midiotas” mais tacanhos.

Prova disto é que a empresa está reduzindo drasticamente os seus “custos operacionais”, o que deve atingir inclusive os badalados “medalhões” da emissora – como aponta o jornalista Ricardo Feltrin em matéria postada no site UOL neste sábado (20).

Após dramaturgia, Globo quer cortar supersalário de repórteres “medalhões”

Depois do fim da era dos salários nababescos na área de dramaturgia, processo iniciado há quase 4 anos, chegou a vez do jornalismo da Globo. Tensão e nervosismo atingem esse departamento há algumas semanas, pois já se sabe que a emissora decidiu acabar também com os chamados “supersalários” na área de reportagem, em especial os dos chamados “repórteres medalhões”.

Por “supersalários” entenda-se ganhos mensais acima de R$ 40 mil. O corte deve atingir não só a Globo, mas também a Globonews. Sabe-se que dentro do grupo há alguns repórteres veteranos que ganham R$ 40 mil, R$ 50 mil e até R$ 60 mil mensais. Muitos desses são repórteres especializados; já outros foram correspondentes internacionais; alguns atuam eventualmente como âncoras ou trabalham em outros programas no grupo; todos são veteranos.

A maioria é contratada e registrada em carteira (CLT), daí o pânico: eles podem ser demitidos a qualquer momento. Com suas longas carreiras, eles conseguiram elevar muito seus rendimentos em relação aos colegas. Só que agora a Globo quer estabelecer uma espécie de “teto” salarial na reportagem.

Existe hoje em relação a ganhos uma enorme discrepância entre esses repórteres antigos e os novos. Sendo que em muitos casos os dois profissionais trabalham (e rendem) o mesmo. A medida redutora não atinge (por ora) âncoras dos telejornais da casa, mas pode afetar seus substitutos eventuais. A recente saída de Carla Vilhena da emissora, por exemplo, já teve relação com essas novas medidas.

*****

O traumático processo de redução dos “custos operacionais” – que atinge ainda com mais força as outras emissoras – decorre da estagnação da economia, que afasta anunciantes ou reduz o valor dos anúncios. Outros fatores também pesam, como a explosão da internet, a perda de credibilidade do monopólio midiático e os erros de gestão da famiglia Marinho. Não há qualquer paraíso no horizonte – inclusive para os jornalistas globais que insistem em chamar o patrão de companheiro. A vida é dura!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *