O turista que, daqui a um mês e meio, desembarcar no Recife para acompanhar a Copa das Confederações e depender do Sistema Estrutural Integrado (SEI) precisará de coração forte antes mesmo de a bola rolar. O caminho para a Arena Pernambuco é tortuoso. Entre as seis estações da Linha Sul e nos 14 terminais da Linha Centro, em seus entornos, encontram-se duas realidades distintas. Modernas, as estações da Linha Sul atendem aos critérios de acessibilidade.
Na Linha Centro, no entanto, a infraestrutura ignora as necessidades de idosos, gestantes e deficientes físicos. Em 12 estações da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), não há elevadores. Em 13, inexistem escadas rolantes. Ventiladores sem funcionar, goteiras, ausência de banheiros e trens velhos jogam contra os passageiros. Os Terminais Integrados (TIs), mesmo recém-inaugurados, também apresentam deficiências.
A Linha Sul, entre as estações Aeroporto e Recife, é um oásis de acessibilidade. Os quatro terminais em Boa Viagem, bairro que abriga a principal zona hoteleira da capital, contam com elevadores e escadas rolantes. Além disso, três novos trens, recém-adquiridos pela CBTU, circulam pelo ramal. O único problema é o comércio ambulante que toma conta das composições. Homens e mulheres vendem de tudo dentro dos trens, de chocolates a porta-documentos.
Faltando pouco mais de um ano para a Copa do Mundo, o cenário contrasta com a situação da Linha Centro, inaugurada há duas décadas e espinha dorsal do trajeto para a Arena, em São Lourenço da Mata, no Grande Recife. O início do passeio, na Estação Recife, é o ponto mais tranquilo e confortável da viagem. Elevadores e escadas rolantes facilitam a vida de portadores de necessidades especiais, idosos e grávidas, proporcionando acesso sem sobressaltos à plataforma de embarque.
Em Joana Bezerra começa a dor de cabeça. O cartão de visitas, ainda do lado de fora, no terminal do SEI, é um amontoado de lixo, maioria restos de frutas e verduras espalhados. O comércio informal ocupa quase toda a calçada, atrapalhando a locomoção. Um toldo montado por um camelô bloqueia a rampa para cadeirantes. Em horários de pico, o empurra-empurra é recorrente. A travessia entre metrô e pontos de ônibus é dificultada pela ausência de faixa de pedestres.
Um motorista de coletivo, ao ver a reportagem registrando o cenário, perguntou: “Isso é para mostrar a pior estação do Brasil?”. O dono da indagação é Ricardo Batista, 33 anos, indignado com os problemas do local. “Todo mundo sofre aqui. É muito apertado para os ônibus passarem, a demanda é muito grande e tem assalto direto. No pico, ser humano vira bicho. Parece gado sendo tangido”, afirma.
Na estação seguinte, em Afogados, Zona Oeste, não há elevadores nem escadas rolantes. O desrespeito com a acessibilidade se resume nas palavras da aposentada Josefa Maria da Silva, 71. Não bastasse a idade avançada, ela tem um problema na perna direita, avariada após acidente de carro 10 anos atrás. Para apanhar o metrô, Josefa se viu obrigada a subir, mancando, duas rampas de acesso à plataforma, cada uma com mais de 10 metros. “É uma luta subir isso aqui. Estou até sem forças para falar. Ando com dificuldade e ainda complicam nossa vida”, reclama. Com informações de Wagner Sarmento do Jornal do Commercio.

Representantes da Agencia de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH) estiveram na manhã da última quarta-feira (30.01) em Igarassu.
Imagine um surdo usando um telefone celular? Ou melhor: ter, no seu smartphone, um tradutor de português, em tempo real, para a Língua Brasileira de Sinais (Libras)? Interpretado por um personagem animado em 3D, o ProDeaf é uma plataforma de comunicação criada por uma empresa pernambucana com o objetivo de facilitar as dificuldades enfrentadas por quem tem necessidades auditivas especiais. O que poucos sabem é que as línguas de sinais não são meramente intuitivas, nem partem de sinais de mímica. Elas possuem códigos com o mesmo nível de abstração dos idiomas, com sintaxe e regras gramaticais próprias. “Um surdo não entende tudo diretamente do português, mesmo se estiver lendo. É diferente a tradução de Libras para o português. Por exemplo, a frase ‘eu vou para a praia’ escrita em português fica ‘eu praia ir’. As preposições são cortadas e o verbo só existe no infinitivo quando traduzimos para Libras”, explica Lucas Mello, cientista da computação e um dos idealizadores do projeto de acessibilidade.




