quarta-feira, Abril 25, 2018
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Brasil não está preparado para receber produção de tablets, prevê especialista


O mercado brasileiro não tem, ainda, condições de abrigar a fabricação de tablets nacionais. Pelo menos, essa é a visão do pesquisador de economia da informação do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), João Maria de Oliveira. Em entrevista àAgência Brasil, o especialista disse que, no curto prazo, o País conseguirá apenas montar equipamentos a partir de componentes importados, a exemplo do que já acontece com computadores, televisores de LCD e celulares.

Oliveira fez sua análise após a divulgação da Medida Provisória 534, queestabeleceu as regras para que os fabricantes de tablets se encaixem no PPB (processo produtivo básico) e, com isso, consigam a isenção de impostos. O documento prevê que uma parte dos itens utilizados para a produção dos equipamentos seja produzida no País.

Ao analisar a MP, o pesquisador destacou: “O processo de criação, de design, de produção de software, associado aos tablets, não vai ser feito no Brasil. E é aí [nessas atividades] que está o valor adicionado à geração de tecnologia.” Na entrevista, ele destacou que apenas a montagem de equipamentos não deve trazer receitas importantes para a indústria nacional, em especial, se os equipamentos forem vendidos no exterior.

Para o especialista, o que o País precisa, de fato, é investir, em longo prazo, na indústria de desenvolvimento de software e de design dos equipamentos. Mas, segundo ele, trata-se de um processo que pode levar 15 anos e vai demandar grandes investimentos em ciência e tecnologia.

Ainda na entrevista à Agência Brasil, o especialista considerou que os grandes fabricantes de tablets não devem instalar centros de pesquisa e desenvolvimento em território brasileiro. “Não virão sem algum domínio [tecnológico] ou sem técnicos suficientes”, pontou Oliveira. Segundo ele, se isso realmente não ocorrer, vai ser difícil transformar o País em um importante pólo para a indústria mundial de tablets.


Redação do Informe-PE, Reportagem: Paulo Fernando

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